segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A véia maldita

Ok, estou começando nessa coisa de blog. 
Não sei como funciona, porque sou péssima nessas coisas de blog, twitter e afins. Facebook pra mim é pior do que aprender a usar a calculadora financeira da minha mãe.
Enfim, escrever aqui pode ser uma maneira de me livrar de tanta raiva e ódio nesse coração. 
Podem me perguntar porque. Porque tanta raiva!? Porque tanto ódio?! EU NÃO SEI! EU SOU ASSIM! É maior que eu. 
Sinto vontade de matar pessoas no transito, de gritar com todos e empurrar gente lerda. Pode ser maldade, mas é o meu jeito. 
E olha que eu não sou uma pessoa má.
Eu, como o resto das pessoas como eu (que eu acho que sim, existem outros "adoradores de vingança" e "apreciadores de mandar tomar no cú", no mundo...) guardo a raiva na hora e ela se multiplica feito gremlins quando em contato com a água. Quase uma progressão geométrica de ódio e revolta.
Eu pensei que precisava colocar isso tudo pra fora de alguma maneira, um diário, um grito, uma caixa de lexotan, qualquer coisa... Pensei, pensei.. um blog é mais saudável.
O fato que me fez refletir sobre arrumar um tratamento para minha raiva, foi um dia de calor, num ônibus..


Naquele dia tinha acordado com uma puta dor de cabeça, às 5 da manhã e tomei logo 2 comprimidos de tylenol 750mg, que mais parece um supositório. Aquele remédio maldito desceu minha garganta rasgando, porque foi de ladinho e enroscou em alguma coisa... bebi uns 2 litros de água pra desengasgar e logo depois quis gorfar, porque eu ODEIO ÁGUAAAAAA! (falo sobre essa raiva depois). Voltei a dormir. Acordei cambaleando, me arrastei até o ponto de ônibus pra ir pra faculdade. Passei um dia desgraçado, como sempre. Tendo que olhar na cara de pessoas que eu gostaria de jogar gasolina e ver morrendo lentamente (depois conto o motivo do ódio).
Depois de ser liberada mais cedo da aula de um professor que também odeia tudo (incrível, tudo é ruim, tudo não é o suficiente), fui para o ponto de ônibus acompanhada da fiel escudeira, minha vizinha ruiva, que simplesmente da risada de tudo. Tudo. TUDO. Eu sou o mal humor, ela é o bom humor.
Chegamos no ponto de ônibus e com o sol de Bauru, o banco estava quente a ponto de dar hemorróida ao cu mais forte do mundo. Esperei durante uma hora pelo ônibus maldito, que estava parado a poucos metros mas o motorista pau no cu, tinha ido mijar... 
O ônibus andou.
Dei o sinal.
Como sempre o motorista não parou com a porta na minha frente (filho da p...).
Entrou minha amiga ruiva e eu dei passagem para uma velhinha muito velha mesmo, do tipo em putrefação, entrar.
Entrei logo depois da velhinha.
A ruiva passou da catraca e reservou o banco dos bobos para sentarmos (banco dos bobos é o nome que um amigo de faculdade deu para aqueles bancos altos, no fundo do ônibus).
A velhinha estava procurando o cartão do ônibus numa bolsa que devia ter umas dez caixas de remédios, uns biscoitos de polvilho, uma fralda geriátrica, naftalina, dentaduras extras e sei lá mais o que. Se ela sabe que vai perder o cartão, porque não coloca num lugar mais fácil???? Poorrrrrrraaaa! Pendura na orelha, guarda no sutien, coloca no adesivo da fralda, MAS NÃO EMPATA A VIDA ALHEIAAA!
Tudo bem, até aí, eu sou uma ótima pessoa. Coloquei a mão no bolsinho reservado pra dinheiro do ônibus (Simmmm, não fodo com a vida alheiaa!) E notei que tinha uma nota de dez reais, somente ela.
Estava atra da velha, e o cobrador estendeu a mão de modo a pegar a nota de dez reais e começar a adiantar o troco. E a velha procurando o maldito cartão.
O cobrador me deu o troco e apertou o botão pra liberar a catraca PRA MIM, já que a velha não achava o cartão. Foi quando, nesse pequeno intervalo de tempo, a luz liberou minha passagem e a véia colocou o cartão dela na máquina. Eu, sabendo que estava certa, passei pela catraca.
Em poucos segundos a velhinha doce e podre que eu deixei passar na minha frente, se transformou num monstro e  berrou:
- Ei mocinha, você passou na minha frente e eu paguei.
Eu olhei para o cobrador e para a velha e falei:
- Mas eu paguei...
E quem disse que a velha me deixou falar??? Logo foi falando:
-Ai, esses jovens, ninguém controla, não têm mais respeito com gente de idade, um dia ela vai ficar velha.. bçá blá blá
O cobrador sem mãe nem falou nada! simplesmente me fez um sinal com a mão, querendo dizer "Ignora, ela é louca.."


Eu olhei pra véia, e quase me esqueci de que minha mãe sempre disse pra respeitar os mais velhos. Naquela hora, tinha vontade de voar naquela filha de uma puta véia arrombada, jogar ela no chão e chutar até que ela falasse:
-Desculpa moça, eu sou retardada, tô assada por causa da fralda e tô nervosa. Não tomei meu gardenal hoje e acabei falando merda.
Chutar mesmo, dar bicuda, igual o Brad Pitt dá na Angelina Jolie em Sr. e Sra. Smith.
Ela realmente achou eu precisava roubar uma passagem de ônibus dela e ainda falou dos meus hábitos com velhinhos! Porra, várias vezes fui de pé num ônibus lotado, em plenas 18h no trânsito de São Paulo pra deixar o velhinho sentar! E eu levo umas 3 horas pra chegar em casa!!! Porra! Velha desgraçada! Colocou em dúvida anos de boas intenções por causa de uma porra de uma passagem de ônibus.
Quando sentei, estava possuída, parecia que tinha um monstro dentro de mim. Parecia que eu ia voar naquela velha desgraçada a qualquer momento.
A velha resmungou durante a viagem inteira.
Ela desceu. Pensei em descer com ela e encurralar a monstra num beco e torturá-la, de modo que ela tivesse realmente razões para falar mal de jovens. 


Velha pau no cu.


Fiquei com raiva durante mais algumas horas. Depois passou, como sempre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário